Laila Oliveira e Laila da Silva, idealizadoras do Shot de Leitura, que acontece em um bar no Morro do Saboó
Laila Oliveira é graduanda de Serviço Social na Unifesp-Baixada Santista e bolsista no Observatório do Instituto Saúde e Sociedade (ISS).
Laila da Silva é licencianda do 4º ano do curso de Letras do Instituto Federal de São Paulo (IFSP - Campus Cubatão).
A coincidência não está apenas no nome. Ambas têm gosto pela leitura e vontade de agir pela melhoria das condições de vida dos moradores das periferias. O caminho que escolheram para suas ações percorre o trajeto de ficção, realidade, imaginação e encantamento dos livros.
As ´Lailas` encabeçam o Shot de Leitura, iniciativa que acaba de ser selecionada entre os Projetos de Ações Culturais e Artísticas das Periferias, no município de Santos, instituída pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).
O Shot de Leitura visa à democratização do acesso à literatura de autoras negras, como Lélia Gonzalez, Carolina Maria de Jesus, Sueli Carneiro, Conceição Evaristo, e tantas outras, nas comunidades periféricas. Acontece uma vez ao mês, no Bar do Jeová, no Morro do Saboó, em Santos. Além de estímulo à leitura, a proposta é aproximar a comunidade da produção científica acadêmica. Mais uma coincidência: as ´Lailas` vêm de comunidades, espaço onde produzem, também, suas escritas e arte urbana.
Elas destacam que o maior ganho do projeto é a produção de conhecimentos como ferramenta de emancipação individual e coletiva das pessoas marginalizadas. Estimula os debates críticos e reflexivos, promovendo a emancipação das mulheres periféricas e o senso de pertencimento através da leitura. Outro motivo é que os textos acadêmicos discutidos nos encontros são um reflexo da vida das autoras no cotidiano, o que faz com que os participantes vejam seu dia a dia refletido nas obras discutidas.
Além da alegria pela seleção, Laila Oliveira e Laila Silva destacam que a notícia dá esperança para a quebrada, mostrando que acessar políticas públicas é um direito que deve ser reivindicado e conquistado. Possibilitar o fomento da leitura na periferia é motivo de esperança e validação do conhecimento periférico, agora em outra ação subsidiada pelo governo Federal.
A seleção no edital da lei Aldir Blanc é um passo importante, também, porque dá fôlego para a continuidade do projeto, que nas primeiras edições foi subsidiado com recursos das próprias graduandas. Para saber mais, acesse o Instagram @shot.deleitura.