Acima, Fernando Kinker, diretor do ISS, a professora Hanna Karen (coordenadora de Pós-Graduação e Pesquisa) e os professores Rafael Lambertucci (Câmara de Graduação) e Ricardo Guerra (Extensão e Cultura), durante o debate sobre o Projeto Político Pedagógico.
A pandemia alterou hábitos e comportamentos, acelerou mudanças no mundo do trabalho e nos processos de educação, formação e qualificação profissional. Em velocidade estonteante, as tecnologias digitais estão cada vez mais presentes em nosso cotidiano, gerando impactos negativos e positivos que precisam ser discutidos constantemente. É preciso estar atento, também, às questões climáticas, às frequentes ameaças ao ensino público e às políticas públicas em geral.
Para Fernando Kinker, diretor do Instituto Saúde e Sociedade (ISS) da Unifesp-Baixada Santista, esses temas devem ser considerados no debate sobre a revisão do projeto político pedagógico, que começou a ser discutida no dia 3 de outubro, em mais um fórum permanente promovido pelo ISS. É o quarto evento com este objetivo: o primeiro foi realizado em 2010; o segundo, em 2012, mas o documento que serve como base, atualmente, é o de 2015. A pandemia impossibilitou novas discussões, entre 2019 e 2021/2022,.
“O ISS sempre pautou sua atuação no sentido de promover, cada vez mais, a interação da comunidade acadêmica com a sociedade. Vivemos um contexto de intensificação da desigualdade social e precisamos aperfeiçoar as ações coletivas, as práticas solidárias”, afirmou Kinker.
Rafael Herling Lambertucci, coordenador da Câmara de Graduação, ao destacar princípios direcionadores do projeto político pedagógico, lembrou dos sucessivos cortes de verbas que as universidades públicas vêm sofrendo, desde 2014, agravadas no governo anterior. Justamente no momento em que essas universidades ampliaram seu campo, tornando-se mais inclusivas, com vagas para indígenas, pessoas trans, refugiados, apátridas e portadores de visto humanitário, por exemplo.
“Essas transformações precisam ser consideradas. Precisamos saber quem são os estudantes de hoje e os docentes, conhecer as potencialidades, os projetos. Como atuar de maneira interdisciplinar e interprofissional? São questões importantes a serem consideradas neste processo de revisão do projeto”, afirmou Rafael.
Ricardo Luís Fernandes Guerra, coordenador da Câmara de Extensão e Cultura, afirmou que a pandemia causou a interrupção de projetos e atrasou o processo de ´curricularização`, que consiste em tornar as ações de extensão parte integrante dos currículos dos cursos, e não apenas atividade opcional ou complementar. Mesmo assim – de acordo com ele –, o ISS tem o maior número de projetos e programas, a maioria (mais de 60%) na área da saúde.
A coordenadora da Câmara de Pós-graduação e Pesquisa, Hanna Karen Antunes, mostrou um panorama bastante positivo da área, que conta com seis programas de pós-graduação. São quatro mestrados acadêmicos: Interdisciplinar em Ciências da Saúde; Ciências do Movimento Humano e Reabilitação; Serviço Social e Políticas Sociais; e Bioprodutos e Bioprocessos. Outros dois programas são em mestrado profissional: Ensino em Ciências da Saúde e Saúde da Família (ProfSaúde), este em rede com 45 instituições públicas de ensino superior lideradas pela Fiocruz.
De acordo com Hanna Karen, dos 225 docentes do ISS, 157 estão credenciados para orientação de mestrado e doutorado. “É um grupo muito qualificado, com diversidade nos trabalhos”, ressaltou, alertando que os desafios, no entanto, são muitos. Entre os destacados por ela estão: recuperar métricas pré-pandemia, consolidar os programas, ampliar capitação de recursos e aumentar a nota CAPES, ampliar o número de orientadores, investir na internacionalização, na divulgação científica (inclusive com mais publicações) e em inovação, atrair estudantes, modernizar a pós com temas emergentes e convergentes.
Os debates sobre o projeto político pedagógico do ISS prosseguem. O próximo evento está previsto para 25 de novembro.