O poeta Chagas da Selva abriu o encontro com poesias autorais e rimas de improviso.
Com rimas potentes, chamando para a resistência, o poeta Raphael Chagas da Silva, o Chagas da Selva, abriu o primeiro encontro para a criação do Fórum Universidade e Sociedade, na companhia do rimador e graduando de Psicologia, Mateus Santos Lima. Promovido pelo Instituto Saúde e Sociedade (ISS), da Unifesp-Baixada Santista, a roda de conversa aconteceu na noite de 5 de dezembro, no campus da ´Silva Jardim`. Artistas que integram o Observatório de Arte Preta e Periférica (Obappe), do qual Chagas é diretor, estavam entre os presentes, ao lado de representes de movimentos e entidades sociais.
A proposta do Fórum é construir espaço de diálogo entre a universidade pública e a sociedade civil. Ouvir as pessoas que não são da academia, mas vivenciam no cotidiano os problemas, os saberes e as potências dos territórios onde habitam e circulam. Com elas, trocar experiências, debater e buscar, conjuntamente, caminhos e ações que possibilitem maior.
Como funcionará o fórum? Quais questões serão abordadas? O que os movimentos e lideranças esperam? Estas foram algumas das questões colocadas para estimular esse primeiro debate. Alguns temas surgiram: a violência urbana, sobretudo a cometida por policiais contra moradores das periferias; a defesa dos serviços públicos de saúde (citações diretas às mais recentes ameaças de fechamento de serviços no Hospital Guilherme Álvaro); a criação de uma agenda temática; mais espaço e estímulo para a arte, inclusive no espaço acadêmico; mais retaguarda para pessoas da periferia que estão na universidade; apoio para projetos sociais desenvolvidos pelos próprios moradores, entre outras propostas.
O diretor do ISS, professor Fernando Kinker, destacou que o ISS desenvolve mais de 100 projetos de extensão em diferentes comunidades e, tantos os docentes que coordenam essas ações, quanto os alunos e munícipes que participam dos programas, precisam ser ouvidos neste fórum. É importante para todos sabermos sobre esses projetos: Para quem estão direcionados? Há diálogos com as comunidades? Como se dão esses diálogos, atendem demandas das comunidades?
Por essa razão, o diretor do ISS sugeriu que, para o próximo encontro – previsto para fevereiro (ainda sem data definida) – sejam convidados/as docentes que atuam na ´extensão` e pessoas que participam dos projetos (alunos e moradores). Assim, os integrantes do fórum terão a oportunidade de saber mais sobre a presença da universidade nos diferentes territórios e o que deve ser ampliado, melhorado, construído em conjunto.
No alto, o estudante Mateus Lima e a artista urbana Laila. À esquerda, Crislene Sousa, de Monte Cabrão, durante o encontro pormovido pelo ISS, dia 5.